Resenha #26 - Restos Humanos (Elizabeth Haynes)

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Título original: Human remains
Editora: Intrínseca
ISBN: 978-85-8057-483-8
Ano: 2014
Tradutora: Mauro Pinheiro
Páginas: 320




Você conhece bem seus vizinhos? Saberia dizer se eles estão vivos ou mortos? Ao encontrar por acaso o corpo de uma vizinha em avançado estado de decomposição, Annabel Hayer, que trabalha com análise de informações para a polícia, fica horrorizada ao pensar que ninguém — e isso inclui ela mesma — sentiu falta daquela mulher. De volta ao trabalho, ela vasculha os arquivos policiais e encontra dados que mostram um aumento significativo de casos como aquele nos últimos meses em sua cidade. Conforme aprofunda a investigação, Annabel parece cada vez mais convencida de estar no rastro de um assassino, e é obrigada a enfrentar os próprios demônios e a própria fragilidade. Será que alguém perceberia se ela simplesmente desaparecesse? Um Thriller psicológico extremamente perturbador, Restos Humanos fala de nossos medos mais obscuros, mostrando como somos vulneráveis — e a facilidade com que vidas podem ser destruídas quando não há ninguém que se importe com elas. 




Você conhece bem seus vizinhos?
Saberia dizer se eles estão vivos ou mortos?


Antes de começar a resenha, gostaria de pedir quem vocês lessem a sinopse, pois ela está bem completa, então não vejo a necessidade de fazer um resumo maior sobre a história.

Eu adoro um Thriller psicológico e eu esperava amar esse, mas posso dizer que tive uma relação de amor e ódio por ele. Logo vocês vão entender o porquê.

Annabel Hayer está com quase 40 anos e é muito solitária. Ela trabalha como analista criminal e vive sozinha com sua gata. Ao descobrir o corpo da sua vizinha em avançado estado de decomposição e depois, ao descobrir que vários casos assim aconteceram nos últimos meses, ela fica muito determinada a descobrir o que realmente aconteceu, pois para ela está claro que tem alguém por trás disso. Entretanto, inicialmente, os investigadores não acreditam nela, pois não há evidência de assassinato.

Entretanto, apesar das mortes não terem muitas relações entre si. Pessoas com sexo, idade, situação financeira diferentes, todos as vítimas tem uma característica em comum: a solidão.

O livro trata bem dessa situação. A vulnerabilidade do ser humano, o desejo de ter alguém que se importa com você, a que situação que se pode chegar quando se está desesperado e sem ninguém com que se importe. Annabel se sente muito determinada a descobrir o que há por trás dessas mortes porque ela se vê como uma potencial vítima, e tem medo que algo assim aconteça com ela, e que não tenha ninguém que note sua ausência.


 "Eu não me sentia triste, mas as lágrimas começaram a brotar, me pegando desprevenida. Lágrimas por causa do silêncio, por causa da solidão. Lágrimas pelas pessoas que morreram em suas casas e lá ficaram, os corpos apodrecendo, transformados em apenas fluidos, ossos e mucosas, não sobrando nada no final, a não ser uma mancha escura sobre o colchão e a cadeira. Enterradas sem ninguém por perto, exceto uma mulher do conselho municipal que tentara sem sucesso encontrar alguém que as houvesse amado." (pg. 54)


Apesar dessa solidão e tristeza da Annabel, eu diria que ela possui uma coragem frágil. Ela é uma pessoa muito corajosa e muito determinada, mas que essa coragem pode ser abalada com facilidade. E é extremamente confortante, ver que, ao decorrer da história, ela passa por situações que a fazem ver que tem sim pessoas que se preocupam e se importam com ela.

Bom, vocês talvez estejam se perguntando porque da relação de amor e ódio, se até agora eu só falei bem do livro. Então, o livro é narrado em primeira pessoa, mas por personagens diferentes. A narrativa é intercalada entre a Annabel, um cara chamado Collin, uma narração por outras, além de algumas reportagens de jornal. A parte da narração das outras pessoas é sempre profunda, cada uma com sua história e algumas me fizeram ficar realmente com o coração pesado. Entretanto, a narração do Colin é na maioria das vezes, muito cansativa e arrastada, mas eu entendo que tem um motivo para isso, mas isso me fez desgostar um pouco do livro e demorar para conseguir finalizar a leitura. Todas as histórias tem conexão e é interessante descobrir isso. 

Das personagens eu não tenho muito mais a falar do que já disse, mas um personagem secundário que me conquistou totalmente foi o Sam Everett, jornalista e que está extremamente interessado no caso. Ele inclusive criou uma campanha no jornal que é "Ame Seu Vizinho" - para fazer com que as pessoas se preocupem mais com o bem-estar dos seus vizinhos e para que eles não morram sozinhos e só venham a ter seus corpos descobertos meses depois. Ele, apesar de ser jornalista, não é daquele tipo oportunista, ele sabe respeitar o momento de cada um, é gentil, cavalheiro e um ótimo amigo. Ele foi uma pessoa super importante para a Annabel.

Como não é uma narrativa que tenha muita ação, os capítulos curtos e intercalados ajudam bastante, tirando algumas partes arrastadas, em geral é bastante fluida. As últimas páginas são de tirar o fôlego, você não consegue largar o livro até saber o que vai acontecer. Não encontrei erros de digitação e a diagramação é simples, e apesar de ter achado a fonte bem pequena, não atrapalhou a leitura.

Recomendo esse livro para os fãs de Thriller Psicológico, mas aviso, tem algumas partes meio densas, então se tem um estômago fraco, tenha um pouco de moderação. Foi um livro que eu gostei muito, mas me deixou com uma sensação de peso no coração ao imaginar tantas situações de pessoas solitárias, e imaginando que isso poderia acontecer comigo, ou com qualquer vizinho ou alguma outra pessoa que seja sozinha. 

Essa resenha atende ao tema de dezembro no Desafio Literário Skoob - Livros lançamentos em 2014.






















21 comentários:

  1. Oiee

    Ai deu medo só de ler o título do livro kkkk vc é corajosa eu não gosto de livro assim então com certeza não leria esse ainda mais com troca de narrativas e uma delas sendo arrastada.

    Beijos

    www.livrosechocolatequente.com.br

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  2. Confesso que não conhecia o livro e não me senti muito motivada a ler. Sou mais tranquila, não curto muito este estilo de livro, sabe? Mas gostei da sua resenha, achei que você não enrolou e explicou bem o que pensa do livro. Dei uma olhadinha na sua postagem do PCBL também e gostei muito das suas respostas! :) Achei inclusive que o tópico 3 e 6 se encaixariam nas minhas respostas também, apesar de eu ter escolhido outros livros para eles. Beijos e tenha uma ótima quinta!!! :D
    maluquice-de-garota.blogspot.com.br

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  3. Eu quero muuuuito ler esse livro.
    Primeiro: é thriller psicológico
    Segundo: é da Elizabeth, e eu simplesmente amei No Escuro
    Terceiro: essa "relação" com a solidão me despertou muito a curiosidade

    Beijos!

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  4. Gosto muiito desse tipo de livro e este parece muiiiito bom..Não me recordo se já conhecia a autora e a capa é bem legal..

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  5. Ola Rafa a sinopse está bem completa mesmo, e confesso que é assustador uma pessoa morrer e ninguém sentir sua falta, o que faz a solidão hein menina. Esse ponto de vista é bem triste. Estou começando a gostar bastante de livros assim após ler Eu Vejo Kate , vou colcar na lista de leitura. beijos

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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  6. Nao costumo muito ler livros nesse estilo...mas confesso que deveria mudar isso. Amo a sensação de nervosismo para querer saber logo oq vai acontecer, resolver o misterio! adorei a resenha e acho que vou ler sim.

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  7. Oi, Rafaella!

    Adorei a resenha, eu adoro Thriller Psicológico e esse chamou muito a minha atenção, até porque tem assassinos e coisa e tal, gosto bastante heheh
    Eu tenho um livro dessa autora, chama No Escuro e também é Thriller, mas não tive a oportunidade de ler ainda.
    Vou procurar saber mais desse livro porque pretendo ler!

    Beijos
    Rayssa
    http://diariosdleitura.blogspot.com.br/

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  8. Olá, moça

    Eu gosto muito desse gênero de livro. Li sua resenha, e pelo fato de você ter uma relação de amor e ódio com ele eu fiquei na vontade de ler para tirar minha opinião. Ele parece mostrar muito da realidade atual das pessoas, da solidão e tal, e confesso que o final de tirar o folego chamou mais ainda minha atenção.

    Att,
    decaranasletras.blogspot.com

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  9. Olá

    Fiquei curioso ao saber que o livro trata da vulnerabilidade do ser humano, além de mostrar histórias distintas e intercaladas que parecem ser bacanas. Só não curti muito ser em primeira pessoa, mas acredito que mesmo desta forma eu posso acabar curtindo o livro. Achei a premissa interessante, principalmente porque thriller psicológico é minha área e pretendo ler.

    Abraço!
    www.umomt.com

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  10. Eu to LOUCA para ler esse livro. Depois que li No Escuro, estou querendo todos os livros da autora. Mas vou dizer que sua resenha em deixou meio triste.. adorei saber de alguns elementos, mas essa escrita arrastada de um dos narradores pode matar a leitura. Espero que eu curta esse ponto um pouco mais do que você

    Beijiinhos ;*
    Andressa - Blog Mais que Livros

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  11. Olá Rafa,
    eu adoro um bom livro de thriller psicológico. Mas gosto quando ele vem carregado de cenas com ação, e com aquelas cenas densas onde nos deixa bastante perturbada. O que vejo é que este livro não é bem assim. Porem a premissa dele me deixou curiosa. Pois as pessoas são solitárias e o que o thriller tem a ver e por que ele(a) faz isso. E isso já um motivo bastante forte para me fazer querer conhecer a obra.
    Bom vamos ver se eu consigo.
    Parabéns pela resenha!

    Beijokas Ana Zuky

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  12. Parece um livro bacana e com um tema interessante...acho que nunca li um thriller psicológico (ou li? Não lembro...) e esse tema parece ser bem intenso.
    Gostei do fato de ser um livro curto e o fato de ser em primeira pessoa, a leitura flui melhor ao meu ver.
    E 3,5/5 até que é uma boa nota.

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  13. Olá!
    Eu li a sinopse e já gostei da história. Não sou de ler muito esse gênero, mas o livro me chamou a atenção. Quero muito conhecer Annabel e quem é o assassino.
    Adorei a sua resenha.
    Beijinhos!
    http://eraumavezolivro.blogspot.com.br/

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  14. Oi, Rafa
    Eu tenho No Escuro, da mesma autora e ainda não li. Assim como você eu adoro um thriller psicológico e fiquei bastante interessado apesar de sua relação amor/ódio! rs
    Achei muito legal essa premissa de que todas vítimas são ligadas pela solidão. Sendo assim, eu me pergunto: o assassino não escolhia essas vítimas justamente porque ninguém notaria sua ausência ou sentiria sua falta? Hummmm, fiquei curioso para entrar nesse mundo da Annabel e descobrir tudo :P
    Adorei a resenha Rafa!
    Me deixou interessado e espero gostar! rs

    Abraço
    Adriano
    GeraçãoLeitura.com || http://geracaoleiturapontocom.blogspot.com.br/

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  15. Olá Rafaella, eu amo Thriller psicológicos e eu estou querendo ler esse livro desde que ele foi lançado, pela sua resenha ele é bem o que eu imaginava e tem um enredo bem interessante que deve nos trazer varias surpresas no final além é claro das diversas historias triste das vitimas.

    Visite o blog "Meu Mundo, Meu Estilo"

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  16. Vou te confessar que já na sinopse eu fiquei com medinho. Aí fui lendo a resenha, descobrindo mais sobre o livro, sabendo das suas reações... quero não! Tô fora, bem forinha! E essa variedade toda de narrativa não me interessou, gosto mais quando são no máximo 2 narradores.
    Beijinhos!
    Giulia - www.prazermechamolivro.com

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  17. Esse parece ser o tipo de livro que eu iria gostar, amo thriller, mesmo que sempre fico super mal e depressiva. Obrigada pela resenha, ela ficou ótima.
    Bjs!

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  18. Eu não tenho muita estrutura para encarar um livro destes, mas sei que ele irá agradar muita gente. E além do mais, adoro as publicações da editora que parece escolher a dedo!

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  19. Bom, eu tenho estômago MUITO fraco, então desconfio que não seja leitura pra mim. Também moro só com meu gatinho, mas já disse pra minhas amigas que se um dia eu não aparecer no trabalho é pra virem na minha casa ver se estou viva... pois é... melhor prevenir... não consigo nem imaginar a solidão dessas pessoas, imagina, morrer e ter os corpos descobertos meses depois, deve doer ler sobre isso, imagina viver assim. Mas que bom que gostou tanto, apesar de ter ressalvas.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  20. Olá! Tenho outros livros da Elizabeth na minha meta mas já vou colocar esse na lista. Adorei a resenha e acho que vou curtir o livro. Gosto bastante quando um livro é narrado em primeira pessoa por mais de um personagem, geralmente isso deixa a leitura mais dinâmica

    Beijos.
    Blog Cantar Em Verso

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  21. Infelizmente na sociedade em que vivemos, as pessoas vivem tão focadas em si próprias que nem sentem falta dos demais...
    Não tenho estômago para este Thriller Psicológico. Estou em um momento de leituras mais 'lights'.

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